February 15, 2008

O psiquiatra em busca do enigma do tempo

[Mente e Cérebro, texto de Gláucia Leal] Heitor é um psiquiatra que gosta de ouvir seus pacientes. E de fato se preocupa com as angústias daqueles que o procuram em seu consultório. A nova viagem de Heitor à procura do tempo que passa, traduzida por Ana Montoia e lançada pela Sá Editora, é a última aventura da trilogia criada pelo psiquiatra François Lelord, de 54 anos. Ouvindo seus pacientes, o simpático protagonista, alter ego do autor, conclui que quase todos tinham dois tipos de inquietação: um medo doloroso de que as horas passassem rápido demais ou a triste impressão de que o tempo se arrastava, de forma repetitiva.

Fernando, por exemplo, costumava contar o tempo em cachorros: considerando a estimativa de vida do animal, calculava que lhe restavam dois cães e meio de vida. Sabrina, que vivia incomodada com seu chefe (um homem bem pouco gentil), sentia que tudo acontecia muito rápido – e sofria com isso.

Até Heitorzinho – o pequeno paciente e xará do médico – aborrecia-se com os ponteiros do relógio que, em sua opinião, corriam muito lentamente. Já o astrônomo Humberto, o homem culto, que escutava estrelas com aparelhos muito caros e sofisticados, só queria voltar para os anos em que sua ex-mulher ainda o amava. Mas sabia que era impossível – e isso o deprimia. Outra paciente, Magda, recorria a cremes e ginástica na tentativa de enganar a idade: tudo o que queria era ser bela e admirada. Mas sua pele e seu corpo se transformavam, e a moça, que já não era tão moça assim, temia não ter mais tantas oportunidades de agradar aos outros, principalmente aos homens, como no passado.

Escrito em linguagem direta e atraente, o livro convida o leitor a correr o mundo à procura de respostas em companhia do personagem. O primeiro livro da série, A viagem de Heitor à procura da felicidade, uma alegoria sobre as buscas que empreendemos no intuito de encontrar o bem-estar emocional, é a 14a obra de ficção mais vendida em 2005 em todo o mundo. Já o segundo, Heitor e os segredos do amor, trata de assuntos como afeto, ciúme e traição. As três obras compõem uma coleção delicada, que estimula reflexões acerca do amadurecimento, do sofrimento e do ofício de cuidar de pessoas.

September 24, 2007

Cérebro de pedófilos ‘tem padrões diferentes’, diz estudo

Cientistas britânicos dizem ter encontrado diferenças nas atividades cerebrais de pedófilos.

Uma equipe da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, disse ter descoberto que a atividade em determinadas partes do cérebro de pedófilos era menor do que nos cérebros de voluntários, quando ambos os grupos eram submetidos a vídeos de pornografia adulta.

A revista Biological Psychiatry, que publicou a pesquisa, acredita que esta foi a primeira vez em que se identificaram diferenças nos padrões de pensamento dos pedófilos.

O estudo, realizado pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos, mapeou a atividade cerebral de voluntários pedófilos e não-pedófilos por meio de exames de ressonância magnética, uma técnica que permite que a atividade cerebral seja gravada à medida que o paciente vai pensando.

Ao pedirem aos pacientes que olhassem para imagens de pornografia adulta, os pesquisadores observaram que a atividade do hipotálamo, uma parte do cérebro responsável pela produção e liberação dos hormônios, foi menor entre os pedófilos.

Neurobiologia

No entanto, o médico John Krystal, editor da publicação, disse não saber se os resultados obtidos pelo estudo poderiam ser usados para prever os riscos de certas pessoas desenvolverem pedofilia.

"As descobertas fornecem pistas sobre a complexidade desta desordem, e este déficit (da atividade cerebral) pode predispor indivíduos que são vulneráveis à pedofilia a procurar outras fórmulas de estímulo".

O autor da pesquisa, Georg Northoff, acredita que os resultados podem ser vistos como o "primeiro passo para estabelecer a neurobiologia da pedofilia, que em último caso poderá contribuir para desenvolver novas terapias para tratar o problema".

Há fortes evidências no meio médico de que problemas em certas áreas do cérebro podem contribuir para sentimentos de atração sexual por crianças.

Em alguns casos, pacientes com tumor em uma área específica do cérebro desenvolveram tais sentimentos, dos quais se livraram apenas quando o tumor foi removido. [fonte: BBC]

September 20, 2007

Happy Days: Unraveling the Mystery of How Antidepressants Work

 New research shows how certain antidepressants work, paving the way to new, improved versions of the drugs used to treat depression, anxiety and attention deficit disorder.

Two separate studies—published this week in Science and Nature—provide a window into the way tricyclic antidepressants, such as clomipramine and desipramine, provide therapeutic relief by adhering to proteins on the part of a nerve cell’s outer membrane that extends into the brain’s synapses (spaces between the cells). These so-called transporter proteins, so-named because they carry molecules inside the nerve cell, gobble up neurotransmitters (chemical messengers such as norepinephrine, serotonin and dopamine) sent by neighboring cells. The drainage of these neurotransmitters from synapses—resulting, ironically, from the reimportation of the chemical just secreted by the sending neuron—has been linked to anxiety disorders; tricyclic antidepressants boost the activity of these neurotransmitters in synapses. But scientists have never been sure how this was accomplished.

Both sets of researchers, using a model protein called leucine transporter (from the bacterium Aquifex aeolicus and similar in structure to the human synaptic transporter protein) determined that the drug works by preventing the protein from sucking too many neurotransmitters out of the synapses. But the teams disagree on whether this mechanism also occurs in the human form of the protein, which was too unstable to synthesize.

Using differing microbiological methodology, both teams were able to see exactly how the protein responds to the tricyclic antidepressant molecules. Maarten Reith, a professor of psychology and pharmacology at New York University School of Medicine and co-author of the Science study, says the V-shaped (like the mouth of an alligator) binding site on these proteins catches molecules that are in the synapse. Once it latches onto a molecule that fits, an ion-powered gate locks the captured substance in the protein and later a similar structure on the other end of the protein opens and shoots it into the body of the neuron. "It’s kind of like wine tasting," Eric Gouaux, a neuroscientist at Oregon Health and Science University’s Vollum Institute in Portland and co-author of the Nature paper, says. "You take sip of wine and you hold it in your mouth. If you think it’s good you [may] swallow it, and if it’s not good, you spit it out."

The researchers note that the antidepressants do not fit snuggly into the sites that proteins use to trap neurotransmitters; instead, the molecules stick to what Gouaux refers to as a "greasy vestibule" located just above the neurotransmitter binding site. From this contact point the drug can prevent the leucine transport protein from receiving the chemical messenger. Thus, a neurotransmitter like norepinephrine will remain in the synapse, where its increased levels typically alleviate depressionlike symptoms.

"Now people can look at that environment and they know all the [protein’s] amino acids (or building blocks) that are not interacting with tricyclic antidepressants," says Reith, whose team also included structural biologist Da-Neng Weng. "A drug that binds more potently might be worthwhile" as a way to relieve symptoms more effectively.

Gouaux isn’t quite as optimistic—at least not yet. He sees leucine transporters as reasonable models for the human transporter protein, but does not think the two behave in exactly the same manner. He says that he will continue to glean "general mechanistic features" from leucine transporters and move on to researching the human transporter—a step that could immediately inform new efforts in drug discovery. [SCIAM Mind]